domingo, 16 de maio de 2021

Resenha: Vendetta - Leandro Schulai (org.) (DLL21: de contos)

Primeira resenha de maio pro Desafio Literário Livreando (DLL21). Eu tenho este livro desde o seu lançamento, em 2016, e, apesar de ter me empolgado bastante com a proposta, ainda não tinha lido, até agora. 

A Andross Editora é especializada na publicação de antologias. O Vendetta conta com 22 contos de diversos autores de diferentes partes do Brasil (minha irmã é um deles).

Uma coisa muito legal de ler antologias é justamente poder conhecer a obra de diversos autores. Achei muito interessante a escolha da temática de vingança e a primeira coisa que me admirou foi a criatividade vingativa dessa galera. Alguns contos foram bem inesperados pra mim. As histórias são bem diversas. Cheguei a ficar com pena das vítimas em algumas delas, em outras o tiro saiu pela culatra. 

Um dos meus contos favoritos foi o Vasectomia do Valter Morigi, gostei muito da inteligência da vingança aplicada e, de certa forma, considero que teve um final feliz. Sou meio suspeita pra falar do conto da minha irmã, o Enfim, mas nessa releitura (claro que o dela eu já tinha lido, né?) eu fui lembrada do quanto ele é forte, acho que ele traz uma boa reflexão com relação ao sentimento de culpa. De maneira geral, curti bastante a leitura do livro!



sexta-feira, 30 de abril de 2021

Resenha: A garota do lago - Charlie Donlea (DLL21: indicado por um amigo)

Terceira resenha de abril pro Desafio Literário Livreando (DLL21). Esse livro eu ganhei no Amigo Secreto do DLL no ano passado, presente da queridíssima Tammy, idealizadora e organizadora desse desafio, que infelizmente nos deixou no início do mês, vítima da COVID-19. Além de ser uma indicação dela, ele também foi super recomendado pela Mayane, também participante do desafio, e foi uma das leituras do Clube da Camila desse mês. 

Confesso que enrolei mais do que pretendia pra concluir essa leitura, mas foi culpa minha mesmo e não do livro. A leitura fluía bem quando eu parava pra lê-lo, só que muitas vezes eu não parava. Pode (ou não) ter a ver com o fato de eu estar lendo uns 10 livros simultaneamente. Bom, vamos falar sobre o livro.

Em "A garota do lago" seguimos os passos da repórter Kelsey Castle ao tentar desvendar o que levou ao assassinato da estudante Becca Eckersley, na pequena cidade de Summit Lake. Descobrir mais sobre a jovem morta, vai ajudar a repórter a superar seus próprios traumas.

Gostei muito da escrita do autor e de como ele escolheu narrar a trama, intercalando as investigações da Kelsey, no presente, com cenas do passado de Becca, iniciando 14 meses antes de sua morte. Várias tretas acontecem nesse livro e fui surpreendida muitas vezes (se bem que sou fácil de enganar 😂). Foi muito legal conhecer a Kelsey e ver como sua tarefa "tranquila" se complicou mas, ao mesmo tempo, se transformou numa jornada de superação e redescoberta de si. Até ser revelado o que tinha acontecido com ela, eu estava super curiosa para saber o que era.

Acompanhar a história de Becca é essencial para entender o seu trágico fim. Me pergunto se esse não foi um dos motivos de eu ficar adiando terminar o livro: saber que pra acabar em assassinato alguma coisa tinha que desandar. Esse negócio de não poder confiar em ninguém e desconfiar de tudo e de todos é meio tenso. Eu me envolvo fácil e sofri junto com os personagens diversas vezes. Até sonhei com a história do livro um dia (talvez eu não devesse ler antes de dormir🤔). Enfim, curti bastante a leitura e recomendo. Fiquei com muita vontade de ler uma certa carta (que não posso mencionar pra não dar spoiler).   

Alguns dos meus trechos favoritos:

"Ali, no meio da cena do crime, Kelsey soube que não estava apenas escrevendo um artigo para preencher a cota de laudas de sua labuta mensal. Ela estava à procura de respostas, para devolver alguma dignidade a uma garota inocente." 

"Mas descobrir um segredo jamais é a chave. Descobrir por que um segredo é um segredo é o que leva a algum lugar."

"É assim que descobrimos que estamos fazendo o que estávamos destinados a fazer: quando nunca nos entediamos e não queremos fazer nenhuma outra coisa."

"Faça o que gosta de fazer. E se você achar que não está gostando, faça outra coisa."

"Suas perguntas sobre a vida e a morte, e por que uma pessoa sobrevive a um acontecimento tão terrível, e outra, não"

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Resenha: 1984 - George Orwell (DLL21: clássico)

Segunda resenha de abril pro Desafio Literário Livreando (DLL21). Esse não estava na TBR do desafio mas, como não concluí uma das leituras escolhidas e já tinha lido ele esse mês, resolvi aproveitá-lo. Eu li em conjunto com umas amigas e ainda participei da LC organizada pela Alê do @talvez1livro.

Em uma sociedade em constante estado de guerra contra outros países e contra os inimigos do sistema, cada cidadão deve viver sob a permanente vigilância das teletelas. Qualquer sinal de comportamento ou pensamento desviante da ideologia do Grande Irmão é severamente punido pela Polícia do Pensar.

Acho que esse início da sinopse disponível na Amazon passa bem o cenário do livro. Nele acompanhamos a trajetória de Winston, funcionário do Ministério da Verdade, e vemos como ele vai reagindo a esse regime.

Preciso dizer que fiquei apaixonada por essa edição da Antofágica. Contém ilustrações muito legais (de Rafael Coutinho) ao longo de todo o livro e vem com um material extra: apresentação e outros textos de reflexão sobre o livro.

Esse foi um livro que me levou a refletir muito ao longo de toda a leitura. Chega a ser assustador o quanto os pontos abordados são atuais. Me assustou muito também a inteligência cruel do Partido, como toda a dominação é bem planejada para se sustentar a longo prazo e o papel que da novilíngua nisso. A leitura fluiu super bem e volta e meia eu me via me perguntando o que o Winston faria com suas inquietações. Eu definitivamente não esperava a maneira como o livro terminou (apesar de não ter um fim específico em mente). Gostei muito e recomendo. Ele proporciona uma reflexão e uma inquietação super necessárias.

Alguns dos meus trechos favoritos:

"As consequências de cada ato estão inclusas no ato em si."

"'Quem controla o passado', dizia o slogan do Partido, 'controla o futuro: quem controla o presente, controla o passado.'"

"... em momentos de crise, nunca se luta contra um inimigo externo, mas sempre contra o próprio corpo."

"Se você puder sentir que permanecer humano vale a pena, mesmo quando não gere nenhum resultado, você os venceu."

"Os melhores livros, ele percebeu, são aqueles que contam o que você já sabe."

"... sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la e aboli-la e instituir novo governo..."

Da apresentação (Gregógio Duvivier):

"A opressão não tem fim, mas ela sempre vai se chocar com o desejo de liberdade."

sábado, 10 de abril de 2021

Resenha: Brightly Woven - Alexandra Bracken, Leigh Dragoon, Kit Seaton (DLL21: HQ / Graphic Novel)

Primeira resenha de abril pro Desafio Literário Livreando (DLL21). Aproveitei o tema pra incluir mais um lançamento da Alexandra Bracken, autora que eu amo (já resenhei outros dois livros dela pro desafio desse ano). A graphic novel é baseada no seu romance homônimo, adaptada por Leigh Dragoon com arte de Kit Seaton.

De cara, já me apaixonei por essa capa que, além de lindíssima, é da minha cor favorita. Fiquei encantada com toda a arte da graphic novel. Maravilhosa demais.

Em Brightly Woven, a jovem tecelã Sydelle, após conhecer o feiticeiro Wayland North, entra numa jornada para ajudar a levar até a capital uma mensagem que pode impedir uma guerra. Ao longo do caminho, segredos são revelados, descobertas são feitas e a missão pode não ser tão simples quanto parece...

Eu sou suspeita pra falar sobre qualquer livro de fantasia porque eu simplesmente amo! Achei muito legal como a magia nesse mundo tem relação com as cores. Uma menção que tem na contra capa se refere ao livro como "uma mágica graphic novel sobre descobrir seu próprio poder", e acho que aponta pra um elemento legal da história. Gostei bastante da leitura. Achei Sydelle e Wayland super fofos. Pena que acabou rápido. Fiquei com gostinho de quero mais. Agora quero ler o romance original, mesmo sabendo que a autora fez algumas modificações pra GN.

segunda-feira, 29 de março de 2021

Resenha: Quem canta reza duas vezes - Augusto Cezar (DLL21: de até 200 páginas)

Terceira resenha de março pro Desafio Literário Livreando (DLL21). Esse livro eu ganhei de presente da minha irmã e também enrolei pra lê-lo mais tempo do que gostaria mas, como diz o ditado, antes tarde do que nunca. O livro tem 104 páginas, então, cabe no tema proposto com folga. rs

Neste livro, Augusto Cezar traz várias reflexões e apontamentos baseados em sua experiência e regadas com pensamentos de santo Agostinho. Foi uma experiência muito edificante para mim a leitura desse livro, mais uma excelente oportunidade de aprofundamento. Após a leitura de um trecho, precisei compartilhá-lo imediatamente com o meu ministério. Não podia guardar aquelas palavras só para mim.

Ele fala do nosso papel como servos e como artistas mas também da relação com o outro. Além das reflexões de santo Agostinho, também traz alguns ensinamentos de são Bento. Falando em santo Agostinho, o último capítulo em que fala da sua "relação" com a vida do santo é lindíssima. Enfim, acho que minhas palavras não estão a altura da qualidade do livro mas quero dizer que amei muito e vou deixar que alguns trechos do livro sirvam para recomendá-lo.

Alguns dos meus trechos favoritos:

"É no encontro com o outro que a minha vida ganha sentido e profundidade. É no encontro com o outro que a minha arte encontra razão de ser."

"... realizamos arte por amor. E nenhum amor verdadeiro é egoísta."

"Somos versos que, no encontro com o outro, compõem um novo universo."

"Fazer parte de um ministério é afinar o seu instrumento no diapasão do outro. É formar com o outro um acorde consonante com a fé que nos une."

"... porque a verdadeira liberdade não consiste em fazer o que temos vontade, mas em fazer o que devemos porque temos vontade."

"Se falharmos, recomecemos. Se cairmos, levantemos. Se pecarmos, confessemos a grande misericórdia de Deus. Nada estará perdido enquanto estivermos em busca."

domingo, 21 de março de 2021

Resenha: Música, chamado e serviço - André Florêncio (DLL21: com mais de 2 anos na estante)

Segunda resenha de março pro Desafio Literário Livreando (DLL21). Eu tenho mais livros que se encaixariam nesse tema do que eu gostaria. O tempo de espera de leitura reflete a minha capacidade de comprar mais livros do que consigo ler, mas estou tentando melhorar nesse ponto. Quase sempre eu termino me perguntando: "por que demorei tanto pra ler esse livro?".

Com o objetivo de auxiliar o músico católico a compreender seu chamado e a descobrir a melhor forma de exercê-lo, André Florêncio fala sobre o papel do ministro de música no Corpo de Cristo — Sua Igreja —, sobre suas responsabilidades e sobre diversas outras questões que envolvem seu trabalho.

Sirvo no ministério de música já há muitos anos (apesar de estar em "pausa" devido a pandemia) e entendo a importância de buscar aprender sempre mais, me aprofundar mais e a leitura deste livro vem de encontro a esse esforço. O André parte de suas vivências e traz reflexões e orientações muito importantes para aqueles que assumiram essa missão. Ele apresenta em diversas partes do livro perguntas para ajudar na reflexão, tanto individual quanto em grupo no seu ministério, e gostei muito dessa proposta. Muito me alegrou também ver algumas passagens que costumava levar para partilha na época em que coordenei a pastoral de música de minha paróquia. A leitura foi bem fluida e prazerosa.

domingo, 14 de março de 2021

Resenha: O mistério da Palavra de Deus - Pe. Raniero Cantalamessa (DLL21: de tema livre)

Primeira resenha de março pro Desafio Literário Livreando (DLL21)! Estamos vivendo na Igreja Católica o período da quaresma e, nesse espírito de preparação para a Páscoa, decidi direcionar minhas escolhas do DLL desse mês para livros de temática religiosa. Encaixei "O mistério da Palavra de Deus" na categoria tema livre.

Esse livro me surpreendeu bastante. Não li muito sobre ele quando o comprei (estava aproveitando uma promoção) mas tinha imaginado que seria algo na linha do que li no livro do prof. Felipe Aquino sobre A Sagrada Escritura, que também já teve resenha aqui no blog. Ao começar a leitura, me deparei com uma abordagem bem diferente mas que me proporcionou uma experiência igualmente enriquecedora.

Pe. Raniero Cantalamessa, dentre várias reflexões, traz uma discussão sobre a importância da palavra, sobre o anúncio da Palavra de Deus antes da vinda de Cristo e da mudança após a sua Encarnação. Nessa discussão, fiquei encantada pela maneira que ele trata a relação entre as três pessoas da Trindade e como seus papéis se complementam. Ele discute também a missão e responsabilidade daquele que anuncia a palavra e fala da importância da espiritualidade na leitura da Palavra de Deus. Este livro foi pra mim uma leitura prazerosa e enriquecedora. Fiquei com vontade de me aprofundar em alguns tópicos e pensando em quando devo relê-lo. Ameí e recomendo!

Alguns dos meus trechos favoritos:

"Do início ao fim, a Bíblia não é senão a mensagem do Amor de Deus às suas criaturas."

"Deus serviu-se da palavra para comunicar vida e verdade, para instruir e consolar."

"Palavra má é toda palavra dita sem amor."

"Palavra boa é aquela que sabe aproveitar o lado positivo de uma ação e de uma pessoa e, mesmo quando corrige, não ofende. Palavra boa é principalmente é aquela que transmite esperança."

"A única coisa que podemos fazer nas confrontações com o Espírito Santo, o único poder que temos sobre Ele, é o de invocá-lo e rezar."

"... quem multiplicou os pães não poderá talvez multiplicar também o tempo?"

"O Evangelho do amor não pode ser anunciado senão por amor. Se não amamos as pessoas que temos diante de nós, as palavras se transformam facilmente em suas mãos em pedras que ferem."

"... Deus, por vezes, empenha mais fadiga na conversão do pregador do que na daqueles a quem o envia a pregar."



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Resenha: A divina comédia - Dante Alighieri (DLL21: de autor italiano)

Última resenha de fevereiro pro Desafio Literário Livreando (DLL21)! Já tinha vontade de ler "A Divina Comédia" há algum tempo por conta de menções feitas a ele em outros livros que li (por exemplo: Instrumentos Mortais e No Mundo da Luna). O tema autor italiano do DLL20 foi um incentivo para começá-lo e até iniciamos uma LC ano passado com o pessoal do desafio. Acabei não concluindo na época mas retomei a leitura esse ano e aproveitei para encaixá-lo no DLL21.

ALERTA: CONTÉM SPOILERS

"Deixai, ó vós que entrais, toda a esperança."

Essa frase é icônica pra mim por já ter visto referências a ela em vários lugares. Quis deixar o alerta porque pretendo mencionar algumas coisas do livro para explicar melhor do que gostei. Não acho que vai estragar a experiência de leitura mas, pra quem não gosta, já está avisado. Continue por sua conta e risco.

A Divina Comédia é dividida em 3 partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. A primeira com 34 cantos e as outras duas com 33 cantos cada. O texto é em versos e nele Dante usa pela primeira vez a terza rima.

A primeira coisa que preciso dizer é que este é um livro difícil de ler por diversos motivos: por ser poesia e precisar seguir uma estrutura e rima, por usar vocabulário antigo e não usual, por ter muitas referências. Então, demanda um pouco de esforço na leitura. Na edição que tenho, duas coisas me ajudaram muito: o resumo no início de cada canto (me parece que toda edição tem isso) e as notas no final. Essas notas explicavam as referências referentes aquele canto, seja de lugares, pessoas, personagens, cânticos, textos bíblico, etc. Apesar da dificuldade e do tempo que levei pra ler, gostei muito da experiência e pretendo reler futuramente para absorver melhor. 

Uma das primeiras coisas que me chamou a atenção no Inferno é o cuidado que a Beatriz demonstra, ao enviar ajuda ao seu amado. É interessante observar que existe uma estrutura bem definida: em cada círculo é punido uma falta diferente. É um texto que me levou a reflexão, a pensar nas consequências e que as aparências enganam (me deparei com algumas figuras inesperadas no inferno). Assim como no Inferno, o Purgatório também uma estrutura bem definida. Em cada um dos seus círculos, temos a purificação associada a cada um dos sete pecados capitais. Eu gostei muito nessa parte de ver as referências a cânticos religiosos e salmos. Ao final de sua passagem pelo Purgatório, Dante precisa encarar e reconhecer seus próprios erros. O Paraíso é composto por nove esferas e sua estrutura segue as teorias de Ptolomeu. Gostei muito de poder ver a aparição de diversos santos e as reflexões feitas sobre as virtudes teologais: fé, esperança e caridade.

Acho que a resenha já ficou gigante pra eu colocar todas as minhas citações favoritas, então, vou deixar uma só pra encerrar.

"O bem, enquanto bem, quando se entende,
Ateia amor que é tanto mais ardente,
Quanto mais de bondade em si compreende."


terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Resenha: Zinescritos #02 - Daniel Constantini e Sandro G. Moura (orgs.) (DLL21: escrito por 2 autores ou mais)

Mais uma resenha pro Desafio Literário Livreando (DLL21)! Essa é a segunda de fevereiro. Apesar de ser bem curta, tenho essa zine há algum tempo e ainda não tinha lido. Finalmente, chegou a hora!

O Zinescritos é um coletivo literário independente, criado em 2015 por um grupo de amigos escritores, que buscam se reunir uma vez ao ano para compartilhar sua paixão (além da oportunidade de fazer novos amigos). Nas páginas deste zine encontram-se trabalhos de diversos gêneros da literatura em textos dinâmicos e divertidos, produzidos com o único propósito de valorizar a literatura brasileira em toda a sua diversidade.

Esta publicação conta com 10 textos escritos por diferentes autores. Tive a oportunidade de conhecer boa parte desses autores e seus trabalhos quando participei das coletâneas da Andross Editora, então, já estava com a expectativa alta para essa leitura. 

Gostei muito de todos textos e da diversidade de gêneros. Em um deles me surpreendi bastante porque o título e o início me fizeram imaginar uma coisa e o desenvolvimento do conto foi completamente inesperado. A arte da capa foi muito bem feita e faz referência a cada um dos textos. Muito legal olhar a capa após a leitura e enxergar o elemento de cada história. Curti muito a leitura e super recomendo!

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Resenha: Lore - Alexandra Bracken (DLL21: com uma palavra no título)

Primeira resenha de fevereiro pro Desafio Literário Livreando (DLL21)! Acompanho o trabalho da Alexandra Bracken desde que li a série The Darkest Minds e estava super ansiosa por esse lançamento.

A cada sete anos, começa o Agon. Como punição por uma antiga rebelião, durante sete dias, nove deuses gregos são forçados a caminhar na terra como mortais, caçados por descendentes de linhagens antigas, todos dispostos a matar um deus e tomar seu poder divino e imortalidade. Lore Perseous se afastou dessa realidade há anos mas, quando a próxima caçada está prestes a começar em sua cidade, ela pode não ter outra escolha a não ser encarar seu passado e participar do Agon.

Um livro baseado em mitologia grega escrito por uma autora da qual sou fã, já sabia que eu ia amar e não me decepcionei. O livro me envolveu de tal maneira que sacrifiquei alguma horas de trabalho e de sono para terminá-lo o mais rápido possível. Gostei muito de ver a força e a determinação de Lore, eu lia ansiosa para conhecer um pouco mais sobre ela e entender melhor o que aconteceu no seu passado. Me apaixonei completamente pelo Castor (não vou falar mais sobre ele para não dar spoiler). Pude conhecer personagens cativantes e alguns detestáveis (sempre bom ter uns vilões pra odiar rs).

Adorei o ritmo do livro, com bastante ação e tretas rolando. Me surpreendi e quase infartei em algumas partes. Gostei de conhecer alguns "novos" mitos e versões diferentes de alguns mitos "antigos" (uma das vantagens de ler histórias inspiradas em mitologia). Curti ver no livro uma discussão super importante sobre o papel da mulher nessa sociedade. Enfim, amei e super recomendo!

Alguns dos meus trechos favoritos (com tradução livre):

"Sometimes you just have to survive to fight another day."
(Às vezes, você só precisa sobreviver para lutar outro dia.)

"The only real thing in this world is what you can do for others. How you can take care of them."
(A única coisa real neste mundo é o que você pode fazer pelos outros. Como você pode cuidar deles.)

"Scars, her father used to tell Lore and her sisters, are tallies of the battles you've survived."
(Cicatrizes, seu pai costumava dizer a Lore e suas irmãs, são contagens das batalhas que você sobreviveu.)

"It's not always the truth that survives, but the stories we wish to believe. The legends lie. They smooth over imperfections to tell a good tale, or to instruct us how we should behave, or to assign glory to victors and shame those who falter. Perharps there were some in Sparta who embodied those miths. Perharps. But how we are remembered is less important than what we do now."
(Nem sempre é a verdade que sobrevive, mas as histórias em que desejamos acreditar. As lendas mentem. Elas suavizam as imperfeições para contar uma boa história, ou para nos instruir como devemos nos comportar, ou para atribuir glória aos vencedores e envergonhar aqueles que vacilam. Talvez houvesse alguns em Esparta que encarnavam esses mitos. Talvez. Mas como somos lembrados é menos importante do que o que fazemos agora.)

"We must release the past if we are to ever find a future."
(Devemos liberar o passado se quisermos encontrar um futuro.)

"Sometimes, he'd said, the braver thing is to accept help when you've been made to believe you shouldn't need it."
(Às vezes, ele disse, a coisa mais corajosa é aceitar ajuda quando você foi levado a acreditar que não deveria precisar dela.)

"Strong or weak — I hated those were the only things we were allowed to be. I wanted to be defined by the life I lived."
(
Forte ou fraco — eu odiava que essas eram as únicas coisas que podíamos ser. Eu queria ser definido pela vida que vivi.)

"When we can't change the past, the only thing left is to move forward."
(
Quando não podemos mudar o passado, a única coisa que resta é seguir em frente.)