quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O precipício

Parecia o caminho mais fácil pra fugir do abismo que sentia por dentro. Perdera as contas de quantas vezes esteve à beira do precipício, mas essa era a segunda vez em que era literal. A vida não lhe tinha sido muito generosa. Vivia angustiada, sentia-se inútil, nada parecia certo. Se perguntava continuamente o porquê de estar viva e por diversas vezes considerara solucionar esse problema. Mas era o tipo de decisão difícil de tomar.

Respirou fundo, correu e saltou...

Tremeu ao se ver sem chão, tremor que logo deu lugar a excitação ao se ver voando na segurança da Asa Delta. E que sensação a de sentir o ar em seu rosto e observar o cenário a sua volta.

A primeira vez em que estivera literalmente a beira do precipício tinha um objetivo bem diferente em mente. E estava decidida. Mesmo com a vertigem que a altura lhe trouxera, não pretendia desistir, no entanto, alguém a convenceu. Lhe disse que teria muito mais a ganhar se se lançasse de cara em novas experiências, que jamais saberia o que a vida tem a oferecer se não assumisse o risco de viver e que, olhando de uma nova perspectiva, os problemas pareceriam menores.

Decidiu não interromper a jornada e valeu a pena. Se sentia viva de verdade e, ao voar, acreditava ser capaz de alçar voos ainda maiores.



segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Limpeza

Em meio a tanta gordura
Olhando aquela sujeira
Não pude ficar quieta
Precisava me manifestar
Chegando ao pé do ouvido
Apressei-me logo em dizer:
Já devia ter aprendido
Detergente é Ipê!

sábado, 12 de dezembro de 2015

Amiga da onça

Aturo de tudo um pouco
Opero qualquer geringonça 
A única coisa que não engulo
É aquela amiga da onça...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Sinuca, chocolate e poesia

Comemorando mais uma primavera,
A noite prometia
Iniciando timidamente 
Com chocolate e poesia

Com a galera reunida 
Estava garantida a zueira 
Do mármore de tua bunda 
À Aorta, a artéria arteira 

Com esse povo não tem bagunça 
Tudo é bem organizado 
E os times já chegaram 
Devidamente uniformizados 

Fabrício, o rei da sinuca 
Mostrou toda a sua habilidade 
Humilhou os coleguinhas 
Sem dó nem piedade 

Zefinha, sua companheira 
Também não ficou pra trás 
Com jogadas bem boladas 
Mostrou seu lado audaz 

Roberto, chamado "eu" 
Não sabia o que fazer 
Até que seu lado sinuqueiro 
Resolveu aparecer 

Thamys começou tímida  
Parecia só observar 
Mas, com uma pequena ajudinha, 
Começou a finalizar 

Bruno veio no atraso 
Mas mostrou o seu valor 
E entre os destaques 
O seu nome figurou 

Eli, a aniversariante, 
Preferiu inovar 
E na imunidade dos tracinhos 
Ninguém pôde lhe ganhar 

Eu bem disse no momento 
Jogar sinuca não sei fazer 
Melhor seria se tentasse 
Uma poesia, escrever 

No final o que rolou 
Foi o jogo das iniciais
Que acabou se mostrando, 
Entre todos, o mais voraz

Em trios organizado 
Rendeu um bom tanto 
E foi, por fim, terminado 
Com tudo preto no branco

domingo, 6 de dezembro de 2015

O pianista

Toca
Ouço
Me toca
Sinto
Me entrego
Viajo
Sonho
Realizo...

Difícil expressar
Todas as emoções contidas
O que é possível experimentar
Através das notas do pianista

sábado, 5 de dezembro de 2015

Aquilo que queremos

Queremos muitas coisas
Que achamos necessário
Aprender um idioma
Terminar um doutorado
Mas demanda muito esforço
Tantas coisas buscarmos
E o tempo precioso
Nos parece muito escasso...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Trincou

Já não sabia como começara a se sentir assim. Ou melhor, como começara a não sentir. Fazia muito tempo que vivia uma vida sem cor, nem mesmo cinza, e era indiferente a essas coisas que chamavam sentimentos. Nem raiva, nem medo, nem ansiedade, --- e isso até parecia bom não sentir --- nem carinho, nem amor --- e isso a deixava vazia. Era como se vivesse em uma redoma que a isolava dos sentimentos no mundo exterior. Acostumou-se a viver como uma máquina, fazendo o que tinha que fazer mecanicamente, sem nenhuma emoção que a impulsionasse. Seguindo a sua rotina, aprendeu a conviver com a apatia.

Era um dia como outro qualquer. Estava a caminho do trabalho. Enquanto aguardava junto a calçada para atravessar a rua, uma senhora pediu que a auxiliasse nessa tarefa. Prontamente, estendeu o braço e, juntas, atravessaram. Ao chegarem na calçada dou outro lado, a senhora abriu um sorriso e agradeceu-lhe fervorosamente. Tamanha foi a gratidão e simpatia que exalavam da senhora que não pôde se manter imune, não podia não sentir. E, naquele momento, o vidro trincou, sentiu algo. Seria a gratidão? A simpatia? Não sabia ao certo, mas parecia o início do fim da apatia.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Pronome

Vem, substituto,
Pro nome descansar
Pode não ser o da rosa
Mas assume o seu lugar

Na pessoa do discurso
Conjuga o que vier
Mesmo que tortuoso
Aceita, objeto, ser

Trata com o respeito
Devido a quem de direito
E, ainda que desconhecido,
Sabe falar do sujeito

Demonstra a localidade,
Indica a posição
Com a mesma facilidade
Com que mostra possessão

Pergunta ao velho amigo
Argumenta e questiona
E aqueles divididos
Com prazer, os relaciona

Quisera eu, de verdade,
Mudaria até meu nome
Se tivesse a habilidade
Que possui o tal pronome

sábado, 21 de novembro de 2015

Família que escreve unida...

... permanece unida. E assim deve ser. Tive o privilégio de ter uma família que sempre me apoiou e sempre esteve perto. Há muito tempo temos a música em comum e agora temos também a escrita. Minha mãe, minha irmã e eu participaremos da coletânea Nanquim que será lançada no próximo dia 28 de novembro pela Andross Editora e confesso que fiquei muito feliz quando soube. A família terá participação também em duas outras coletâneas que serão publicadas esse mês: Metamorfoses e Marcas Eternas.

Comecei minha "carreira de escritora" no início deste ano quando publiquei dois contos, conforme contei no Quem conta um conto... Desta vez, participo com uma crônica, no Nanquim, e duas poesias, no Metamorfoses. Não tenho ambição de seguir profissionalmente a carreira de escritora, mas escrever é algo que gosto muito de fazer e tenho como hobby. Tenho tentado praticar mais e ter alguma flexibilidade, escrevendo em estilos diferentes. Ainda estou aprendendo sobre eles. Algo que me impulsionou no exercício da escrita foi participar do desafio #PHpoemaday que está indo para a quarta edição em dezembro. Vocês encontram todos os meus textos dos desafios disponíveis aqui no blog.  Um outro incentivo é a participação nas coletâneas publicadas pela Andross Editora. Você ver seu texto publicado, sendo parte de um livro, dá uma sensação incrível.

A Andross Editora é especializada na publicação de coletâneas literárias com textos de autores iniciantes. Os textos são enviados através do site da editora e devem seguir a temática proposta (há também coletâneas de temática livre). A Andross está recebendo até o fim de janeiro textos sobre diversas temática, dentre elas, amor, terror, vingança e distopias. Mais informações no site da Andross Editora.

O lançamento das coletâneas que mencionei será no dia 28 de novembro, na 6ª edição do evento Livros em Pauta - Congresso de Literatura, quadrinhos, RPG e outras mídias nerds em São Paulo. O evento é gratuito e está com uma programação incrível.

Para quem ficou curioso e quer conhecer os meus textos que estarão nessas publicações, podem conferir aqui no blog os dois poemas, Oh, Aorta! e Tudo queria ser, e a crônica, Desculpe o transtorno, estamos trabalhando para melhor atendê-lo

Espero que gostem! Até a próxima!

 





sábado, 14 de novembro de 2015

Desculpe o transtorno, estamos trabalhando para melhor atendê-lo

Obras! Organizá-las ou conviver com elas não é uma tarefa fácil, mas, por vezes, é preciso encará-las em vista de uma melhoria necessária ou um conserto essencial. 

Pode ser que sua cidade esteja implementando um novo sistema de transporte público que vai passar por uma das vias principais que, por acaso, faz parte do seu trajeto para o trabalho. Haja paciência! Fechamento de algumas vias, redistribuição das faixas e, consequentemente, muito engarrafamento a enfrentar. E, em meio às horas gastas no deslocamento, resta pensar que, ao término das obras, esse novo transporte vai trazer uma grande melhoria para o trânsito.

Quando você chega a sua cafeteria favorita em busca de descanso após um longo dia de trabalho, é impossível descrever a sensação de encontrá-la fechada com o aviso: Desculpe o transtorno, estamos trabalhando para melhor atendê-lo. Transtorno parece uma palavra muito suave para descrever o rombo que fica no seu coração por não poder contar com seu cantinho de aconchego, seu lugar de reflexão. Mas não resta nada a fazer a não ser aguardar o tempo necessário e esperar para ver o resultado.

Às vezes, tudo o que você quer é dar uma melhorada no seu apê, torná-lo mais espaçoso, redefinir algum cômodo. A versão apê 2.0 parece que vai ser excelente. Mas você quase se arrepende quando começa a obra. O barulho das paredes sendo quebradas é ensurdecedor, e tudo o que você vê ao seu redor é poeira, poeira e mais poeira. Fica difícil imaginar qualquer beleza em meio a isso tudo, mas, uma vez começada a obra, tem que seguir em frente e, mais uma vez, esperar.

Muitas vezes, é necessário também optar por uma mudança de vida. Pode não ser muito grande, mas umas pequenas melhorias. Faz bem para qualquer ser humano. Mesmo assim, como toda reforma, demanda esforço e sacrifícios. É preciso querer, aguentar todos os inconvenientes, resistir à vontade de desistir e continuar sendo o velho eu. Pensando na perspectiva do quanto se sentirá melhor depois, você segue o caminho, um passo de cada vez. 

E, ao término, você vê que o investimento valeu a pena. Sente-se melhor consigo mesmo ao perceber o quanto evoluiu. Sua casa, agora limpa e reformada, ficou ainda melhor do que o esperado. A realidade pode sim ser melhor do que a imaginação. A cafeteria que você tanto ama se tornou um local ainda mais aconchegante, mais espaçoso, e a saudade só a fez valorizar ainda mais. Até o café parece ter um gostinho especial. Tudo agora anda às mil maravilhas, e a recompensa prometida realmente veio. Ou talvez nem todas elas. O trânsito e o sistema de transporte público da sua cidade talvez não tenham melhorado estrondosamente, e você ainda pode levar mais tempo do que gostaria para chegar ao trabalho. Mas nem tudo é perfeito e toda regra tem sua exceção.

*Este texto faz parte da coletânea literária Nanquim que será lançada no dia 28 de novembro pela Andross Editora