Em meio a tanta gordura
Olhando aquela sujeira
Não pude ficar quieta
Precisava me manifestar
Chegando ao pé do ouvido
Apressei-me logo em dizer:
Já devia ter aprendido
Detergente é Ipê!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
sábado, 12 de dezembro de 2015
Amiga da onça
Aturo de tudo um pouco
Opero qualquer geringonça
A única coisa que não engulo
É aquela amiga da onça...
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Sinuca, chocolate e poesia
Comemorando mais uma primavera,
A noite prometia
Iniciando timidamente
Com chocolate e poesia
Com a galera reunida
Estava garantida a zueira
Do mármore de tua bunda
À Aorta, a artéria arteira
Com esse povo não tem bagunça
Tudo é bem organizado
E os times já chegaram
Devidamente uniformizados
Fabrício, o rei da sinuca
Mostrou toda a sua habilidade
Humilhou os coleguinhas
Sem dó nem piedade
Zefinha, sua companheira
Também não ficou pra trás
Com jogadas bem boladas
Mostrou seu lado audaz
Roberto, chamado "eu"
Não sabia o que fazer
Até que seu lado sinuqueiro
Resolveu aparecer
Thamys começou tímida
Parecia só observar
Mas, com uma pequena ajudinha,
Começou a finalizar
Bruno veio no atraso
Mas mostrou o seu valor
E entre os destaques
O seu nome figurou
Eli, a aniversariante,
Preferiu inovar
E na imunidade dos tracinhos
Ninguém pôde lhe ganhar
Eu bem disse no momento
Jogar sinuca não sei fazer
Melhor seria se tentasse
Uma poesia, escrever
No final o que rolou
Foi o jogo das iniciais
Que acabou se mostrando,
Entre todos, o mais voraz
Em trios organizado
Rendeu um bom tanto
E foi, por fim, terminado
Com tudo preto no branco
domingo, 6 de dezembro de 2015
O pianista
Toca
Ouço
Me toca
Sinto
Me entrego
Viajo
Sonho
Realizo...
Difícil expressar
Todas as emoções contidas
O que é possível experimentar
Através das notas do pianista
Ouço
Me toca
Sinto
Me entrego
Viajo
Sonho
Realizo...
Difícil expressar
Todas as emoções contidas
O que é possível experimentar
Através das notas do pianista
sábado, 5 de dezembro de 2015
Aquilo que queremos
Queremos muitas coisas
Que achamos necessário
Aprender um idioma
Terminar um doutorado
Mas demanda muito esforço
Tantas coisas buscarmos
E o tempo precioso
Nos parece muito escasso...
Que achamos necessário
Aprender um idioma
Terminar um doutorado
Mas demanda muito esforço
Tantas coisas buscarmos
E o tempo precioso
Nos parece muito escasso...
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Trincou
Já não sabia como começara a se sentir assim. Ou melhor, como começara a não sentir. Fazia muito tempo que vivia uma vida sem cor, nem mesmo cinza, e era indiferente a essas coisas que chamavam sentimentos. Nem raiva, nem medo, nem ansiedade, --- e isso até parecia bom não sentir --- nem carinho, nem amor --- e isso a deixava vazia. Era como se vivesse em uma redoma que a isolava dos sentimentos no mundo exterior. Acostumou-se a viver como uma máquina, fazendo o que tinha que fazer mecanicamente, sem nenhuma emoção que a impulsionasse. Seguindo a sua rotina, aprendeu a conviver com a apatia.
Era um dia como outro qualquer. Estava a caminho do trabalho. Enquanto aguardava junto a calçada para atravessar a rua, uma senhora pediu que a auxiliasse nessa tarefa. Prontamente, estendeu o braço e, juntas, atravessaram. Ao chegarem na calçada dou outro lado, a senhora abriu um sorriso e agradeceu-lhe fervorosamente. Tamanha foi a gratidão e simpatia que exalavam da senhora que não pôde se manter imune, não podia não sentir. E, naquele momento, o vidro trincou, sentiu algo. Seria a gratidão? A simpatia? Não sabia ao certo, mas parecia o início do fim da apatia.
Era um dia como outro qualquer. Estava a caminho do trabalho. Enquanto aguardava junto a calçada para atravessar a rua, uma senhora pediu que a auxiliasse nessa tarefa. Prontamente, estendeu o braço e, juntas, atravessaram. Ao chegarem na calçada dou outro lado, a senhora abriu um sorriso e agradeceu-lhe fervorosamente. Tamanha foi a gratidão e simpatia que exalavam da senhora que não pôde se manter imune, não podia não sentir. E, naquele momento, o vidro trincou, sentiu algo. Seria a gratidão? A simpatia? Não sabia ao certo, mas parecia o início do fim da apatia.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Pronome
Vem, substituto,
Pro nome descansar
Pode não ser o da rosa
Mas assume o seu lugar
Na pessoa do discurso
Conjuga o que vier
Mesmo que tortuoso
Aceita, objeto, ser
Trata com o respeito
Devido a quem de direito
E, ainda que desconhecido,
Sabe falar do sujeito
Demonstra a localidade,
Indica a posição
Com a mesma facilidade
Com que mostra possessão
Pergunta ao velho amigo
Argumenta e questiona
E aqueles divididos
Com prazer, os relaciona
Quisera eu, de verdade,
Mudaria até meu nome
Se tivesse a habilidade
Que possui o tal pronome
Pro nome descansar
Pode não ser o da rosa
Mas assume o seu lugar
Na pessoa do discurso
Conjuga o que vier
Mesmo que tortuoso
Aceita, objeto, ser
Trata com o respeito
Devido a quem de direito
E, ainda que desconhecido,
Sabe falar do sujeito
Demonstra a localidade,
Indica a posição
Com a mesma facilidade
Com que mostra possessão
Pergunta ao velho amigo
Argumenta e questiona
E aqueles divididos
Com prazer, os relaciona
Quisera eu, de verdade,
Mudaria até meu nome
Se tivesse a habilidade
Que possui o tal pronome
sábado, 21 de novembro de 2015
Família que escreve unida...
... permanece unida. E assim deve ser. Tive o privilégio de ter uma família que sempre me apoiou e sempre esteve perto. Há muito tempo temos a música em comum e agora temos também a escrita. Minha mãe, minha irmã e eu participaremos da coletânea Nanquim que será lançada no próximo dia 28 de novembro pela Andross Editora e confesso que fiquei muito feliz quando soube. A família terá participação também em duas outras coletâneas que serão publicadas esse mês: Metamorfoses e Marcas Eternas.
Comecei minha "carreira de escritora" no início deste ano quando publiquei dois contos, conforme contei no Quem conta um conto... Desta vez, participo com uma crônica, no Nanquim, e duas poesias, no Metamorfoses. Não tenho ambição de seguir profissionalmente a carreira de escritora, mas escrever é algo que gosto muito de fazer e tenho como hobby. Tenho tentado praticar mais e ter alguma flexibilidade, escrevendo em estilos diferentes. Ainda estou aprendendo sobre eles. Algo que me impulsionou no exercício da escrita foi participar do desafio #PHpoemaday que está indo para a quarta edição em dezembro. Vocês encontram todos os meus textos dos desafios disponíveis aqui no blog. Um outro incentivo é a participação nas coletâneas publicadas pela Andross Editora. Você ver seu texto publicado, sendo parte de um livro, dá uma sensação incrível.
Para quem ficou curioso e quer conhecer os meus textos que estarão nessas publicações, podem conferir aqui no blog os dois poemas, Oh, Aorta! e Tudo queria ser, e a crônica, Desculpe o transtorno, estamos trabalhando para melhor atendê-lo.
A Andross Editora é especializada na publicação de coletâneas literárias com textos de autores iniciantes. Os textos são enviados através do site da editora e devem seguir a temática proposta (há também coletâneas de temática livre). A Andross está recebendo até o fim de janeiro textos sobre diversas temática, dentre elas, amor, terror, vingança e distopias. Mais informações no site da Andross Editora.
O lançamento das coletâneas que mencionei será no dia 28 de novembro, na 6ª edição do evento Livros em Pauta - Congresso de Literatura, quadrinhos, RPG e outras mídias nerds em São Paulo. O evento é gratuito e está com uma programação incrível.
O lançamento das coletâneas que mencionei será no dia 28 de novembro, na 6ª edição do evento Livros em Pauta - Congresso de Literatura, quadrinhos, RPG e outras mídias nerds em São Paulo. O evento é gratuito e está com uma programação incrível.
Para quem ficou curioso e quer conhecer os meus textos que estarão nessas publicações, podem conferir aqui no blog os dois poemas, Oh, Aorta! e Tudo queria ser, e a crônica, Desculpe o transtorno, estamos trabalhando para melhor atendê-lo.
Espero que gostem! Até a próxima!
sábado, 14 de novembro de 2015
Desculpe o transtorno, estamos trabalhando para melhor atendê-lo
Obras! Organizá-las ou conviver com elas não é uma tarefa fácil, mas, por vezes, é preciso encará-las em vista de uma melhoria necessária ou um conserto essencial.
Pode ser que sua cidade esteja implementando um novo sistema de transporte público que vai passar por uma das vias principais que, por acaso, faz parte do seu trajeto para o trabalho. Haja paciência! Fechamento de algumas vias, redistribuição das faixas e, consequentemente, muito engarrafamento a enfrentar. E, em meio às horas gastas no deslocamento, resta pensar que, ao término das obras, esse novo transporte vai trazer uma grande melhoria para o trânsito.
Quando você chega a sua cafeteria favorita em busca de descanso após um longo dia de trabalho, é impossível descrever a sensação de encontrá-la fechada com o aviso: Desculpe o transtorno, estamos trabalhando para melhor atendê-lo. Transtorno parece uma palavra muito suave para descrever o rombo que fica no seu coração por não poder contar com seu cantinho de aconchego, seu lugar de reflexão. Mas não resta nada a fazer a não ser aguardar o tempo necessário e esperar para ver o resultado.
Às vezes, tudo o que você quer é dar uma melhorada no seu apê, torná-lo mais espaçoso, redefinir algum cômodo. A versão apê 2.0 parece que vai ser excelente. Mas você quase se arrepende quando começa a obra. O barulho das paredes sendo quebradas é ensurdecedor, e tudo o que você vê ao seu redor é poeira, poeira e mais poeira. Fica difícil imaginar qualquer beleza em meio a isso tudo, mas, uma vez começada a obra, tem que seguir em frente e, mais uma vez, esperar.
Muitas vezes, é necessário também optar por uma mudança de vida. Pode não ser muito grande, mas umas pequenas melhorias. Faz bem para qualquer ser humano. Mesmo assim, como toda reforma, demanda esforço e sacrifícios. É preciso querer, aguentar todos os inconvenientes, resistir à vontade de desistir e continuar sendo o velho eu. Pensando na perspectiva do quanto se sentirá melhor depois, você segue o caminho, um passo de cada vez.
E, ao término, você vê que o investimento valeu a pena. Sente-se melhor consigo mesmo ao perceber o quanto evoluiu. Sua casa, agora limpa e reformada, ficou ainda melhor do que o esperado. A realidade pode sim ser melhor do que a imaginação. A cafeteria que você tanto ama se tornou um local ainda mais aconchegante, mais espaçoso, e a saudade só a fez valorizar ainda mais. Até o café parece ter um gostinho especial. Tudo agora anda às mil maravilhas, e a recompensa prometida realmente veio. Ou talvez nem todas elas. O trânsito e o sistema de transporte público da sua cidade talvez não tenham melhorado estrondosamente, e você ainda pode levar mais tempo do que gostaria para chegar ao trabalho. Mas nem tudo é perfeito e toda regra tem sua exceção.
*Este texto faz parte da coletânea literária Nanquim que será lançada no dia 28 de novembro pela Andross Editora
sábado, 17 de outubro de 2015
Quando a idade chega...
Chega uma hora que não dá pra negar o que os seus olhos vêem e seu corpo sente. Por mais que você queira, não será jovem eternamente e os sinais do "amadurecimento" estão a sua volta e em você. Vem junto o aumento das responsabilidades e das cobranças. Os sinais podem ser sutis, mas você começa a ver claramente.
Por exemplo, você se dá conta que saiu do ensino médio há mais de 10 anos e seus amigos começam a comemorar seus 29 anos, quase 30, e você sabe que vai logo atrás. Jenna dizia que 30 anos era a idade do sucesso, mas logo que chegou a idade desejada viu que não seria a maravilha que sonhava. Principalmente, por "não ter vivido" mais da metade desses 30 anos. A verdade é que quando chegamos aos 30 temos uma vida bem diferente da que imaginamos que teríamos quando éramos adolescentes. Isso porque nessa idade desconhecemos ainda muitos aspectos da vida que encontramos e aprendemos a lidar ao longo dos anos e, então, passamos a encarar a realidade dos fatos e a ver a vida como ela é.
Além da idade, que mostra em números os sinais do envelhecimento, você tem outros indicadores a observar. Percebe que não tem mais paciência para papo de adolescente, percebe que não tem mais disposição pra balada e faz programas "saudosistas". Uma saída noturna que resolve fazer e voltar para casa de madrugada leva a um dia seguinte cheio de dores. Como canta a Sandy: Tenho sonhos adolescentes mas as costas doem... (Aquela dos 30). Para pra pensar nos últimos shows que foi e constam na lista: Roupa Nova - 30 anos, SPC - 25 anos e Daniel - 30 anos.
Neste último, se vê na companhia de muitas senhoras e se sente agradecida por ter uma cadeira para sentar (em outros tempos, preferiria uma boa pista). Não poderia negar que fazia parte daquilo pois sabia as músicas e cantava junto. Como em todo show, em alguns momentos fãs mais calorosas se manifestavam e gritos de Lindo! e afins podiam ser ouvidos. De repente, em meio a esses gritos ouve-se um: Pudinzinho! Isso te leva a refletir:
É... talvez ainda não esteja tão velha assim!
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