sábado, 17 de outubro de 2015

Quando a idade chega...

Chega uma hora que não dá pra negar o que os seus olhos vêem e seu corpo sente. Por mais que você queira, não será jovem eternamente e os sinais do "amadurecimento" estão a sua volta e em você. Vem junto o aumento das responsabilidades e das cobranças. Os sinais podem ser sutis, mas você começa a ver claramente.

Por exemplo, você se dá conta que saiu do ensino médio há mais de 10 anos e seus amigos começam a comemorar seus 29 anos, quase 30, e você sabe que vai logo atrás. Jenna dizia que 30 anos era a idade do sucesso, mas logo que chegou a idade desejada viu que não seria a maravilha que sonhava. Principalmente, por "não ter vivido" mais da metade desses 30 anos. A verdade é que quando chegamos aos 30 temos uma vida bem diferente da que imaginamos que teríamos quando éramos adolescentes. Isso porque nessa idade desconhecemos ainda muitos aspectos da vida que encontramos e aprendemos a lidar ao longo dos anos e, então, passamos a encarar a realidade dos fatos e a ver a vida como ela é.

Além da idade, que mostra em números os sinais do envelhecimento, você tem outros indicadores a observar. Percebe que não tem mais paciência para papo de adolescente, percebe que não tem mais disposição pra balada e faz programas "saudosistas". Uma saída noturna que resolve fazer e voltar para casa de madrugada leva a um dia seguinte cheio de dores. Como canta a Sandy: Tenho sonhos adolescentes mas as costas doem... (Aquela dos 30). Para pra pensar nos últimos shows que foi e constam na lista: Roupa Nova - 30 anos, SPC - 25 anos e Daniel - 30 anos.

Neste último, se vê na companhia de muitas senhoras e se sente agradecida por ter uma cadeira para sentar (em outros tempos, preferiria uma boa pista). Não poderia negar que fazia parte daquilo pois sabia as músicas e cantava junto. Como em todo show, em alguns momentos fãs mais calorosas se manifestavam e gritos de Lindo! e afins podiam ser ouvidos. De repente, em meio a esses gritos ouve-se um: Pudinzinho! Isso te leva a refletir:

É... talvez ainda não esteja tão velha assim!



sexta-feira, 24 de julho de 2015

O Labirinto

Olho ao meu redor e já não sei o que fazer

Lembro do que passei para chegar aqui
Ao mesmo tempo, não sei ao certo por onde seguir
Busco decidir, um passo de cada vez
Indo com atenção, vigiando bem meus pés
Retrocedo quando é preciso e faço um novo caminho
Insisto, persisto, sabendo que o destino vale a pena
Não há fórmulas conhecidas, só se descobre seguindo
Tudo o que constato confirma o que sinto
O quanto a vida parece um labirinto.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Mãe no Delírio

Saía do trabalho quando encontra uma amiga e a saúda sorridente. Após os cumprimentos, ela o diz:
— Bem vi sua mãe no Delírio.
Por um momento, empalidece. Isto não condizia com o que conhecia de sua mãe. O susto é grande, os segundos parecem uma eternidade, falta o ar. A amiga vê sua confusão e completa:
— Ela estava almoçando ontem no Delírio Tropical.
Ao ouvir isso, respira aliviado.

A febre

Ninguém nunca soube o porquê
Mas o fato era bem conhecido
Não gostava da dança, não suportava as canções
Nem a menção do nome era fácil engolir
Já saira da sua própria festa
Para não ter que ouví-los
Backstreet Boys! NAO!
A essa febre não iria se render

domingo, 14 de junho de 2015

Futuro do pretérito

Escreveria uma linda poesia
Causaria uma boa impressão
Seria um tema por dia
Tiraria daí uma lição

Escreveria uma linda poesia
Que homenagearia o Futuro do Pretérito
Dia 13 seria o grande dia
Mas só no 14 obtive o mérito

sábado, 13 de junho de 2015

Papo de ônibus

Não queria escutar a conversa alheia mas, estando sozinha no ônibus, mesmo sem querer acabava deixando sua atenção ser pega por alguma. Foi o que aconteceu. De repente, pegou um final de frase e ouviu "...eutanásia!" com a maior alegria. Isso não fazia o menor sentido. Sabia o que significava e não achava que combinasse com a entonação dada. Não resistiu e começou a prestar atenção na conversa. Papo vai, papo vem. Uma história daqui, uma fofoca dali. E aquele papo não aparentava ter nenhum relação com a palavra que ouvira. Por fim, quando uma das senhoras se despedia pois estava prestes a descer do ônibus, ouviu: "Não é mesmo motivo de alegria?! Lineu, meu filhinho Lineu tá na Ásia!" E então tudo fez sentido...

O equilibrista

Não importa a altura, nem a dificuldade
Pode ser estreito ou até tremer
Passem ventos, façam barulho
Sua concentração é preciso manter
Mesmo com todas as adversidades
Se mantém de pé, em equilíbrio
Seja no picadeiro, no palco ou na vida
O equilibrista é um verdadeiro artista

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Novo caminho

Estava de saída. 
Enfim, decidira optar pela mudança. Receava enfrentar o que a esperava. Há muito vivia desta maneira e temia o novo. Mas o que vivia ali ja nao poderia mais se chamar vida. Doía pensar em tudo o que passou. Era difícil acreditar como se submetera a tantos ultrajes. Finalmente, encontrou a coragem dentro de si, pegou tudo o que lhe pertencia, que não era muito, e foi seguir seu novo caminho. Dignidade reestabelecida.
Deixou para trás somente o molho de chaves pois por essa porta não mais entraria.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Um dia frio...

Céu cinza, dia nublado.

Após a constatação, vem o desânimo, bate uma preguiça. Recorda-se e agradece a Deus por ser sábado. Dorme mais um pouco e acorda com mais disposição. Mas ainda nao sabe o que fazer. Definitivamente, não sairia de casa hoje. Não com esse clima.

Lembra-se, então, de uma bela canção de Djavan: "Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro e o pensamento lá em você..." e aceita a ideia. Não tem em quem pensar, mas o que não falta em sua casa são lugares aconchegantes para leitura. Prepara um chocolate quente, escolhe na estante um dos seus livros favoritos e coloca uma música ambiente, suave. MPB porque combina. Acomoda-se e mergulha nas páginas e letras.

Apesar do céu cinza, a manhã se torna colorida. Não poderia ser melhor...

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Oh, Aorta!

Oh, Aorta! Como assim não estou morta?
Após perder algo, pra mim, tão vital
Esse amor que pensei ser imortal
E que se foi antes mesmo que percebesse.

Oh, Aorta! Esta dor me corta!
Depois de tudo, não imaginava que tanto ar teria
Desejava mergulhar nesta melancolia
E me asfixiar na triste solidão.

Oh, Aorta! É assim que te comportas?
Pensei que ao final saberias como agir
Que a melhor atitude saberias discernir
E me permitirias uma doce partida.

Oh, Aorta! Por que te importas?
Não pensei que fosses uma artéria arteira
Muito menos que fosses traiçoeira
E me negarias este meu desejo.

Oh, Aorta! Abra-me uma porta!
Tudo que eu queria era morrer de amor
Mas me obrigaste a viver com a dor
Então ajude-me a reaprender a amar.